Tentando finalizar o Nação dos Jogos

Olá a todos!

Quem escreve este texto sou eu, Encho Chagas, idealizador do Nação dos Jogos e responsável pela lambança que se tornou o projeto.

Hoje pela manhã fui informado por um dos apoiadores do projeto que seria acionado juridicamente para a devolução do dinheiro devido. Nunca neguei uma resposta a qualquer dúvida sobre a situação do projeto, e por isso todos sabem muito bem que o que eu mais quero é que essa história se resolva. Prometi que devolveria o dinheiro, mas como não o tenho, isso é impossível. Se acionar a justiça tranquiliza quem tenha se sentido lesado, eu também indico que outros apoiadores façam o mesmo, e posso colocá-los em contato para facilitar o trâmite. Talvez seja uma forma de assegurar que o pagamento aconteça. Ninguém é obrigado a aceitar minha palavra.

De minha parte já garanti que vou devolver o valor devido, assim que tiver alguma renda ou capacidade de fazer o pagamento. O coletivo nunca chegou a existir, e como eu sou o único que sobrou aqui, essa grana vai sair do meu bolso. O que é um pouco complicado de se resolver vivendo a vida que eu vivo. Para muita gente 5 mil reais é pouco dinheiro. Para mim é uma quantia que eu não tenho condições de levantar na minha situação atual.

Mas para quem está perdido, vamos relembrar um pouco os desenvolvimentos dos últimos anos. Considerando que o coletivo nunca tomou forma e eu fui efetivamente a única pessoa trabalhando no projeto, é impossível não atrelar a situação do projeto a eventos pessoais.

O financiamento e para onde foi o dinheiro

Foram R$ 5.580,00 arrecadados, de uma meta de R$ 3.000,00. O objetivo era pagar um stand no World RPG Fest 2015, e lá apresentar o coletivo e o acervo de jogos nacionais da Nação dos Jogos, que iria rodar o Brasil em etapas futuras do projeto. Para ajudar a convencer pessoas a engajar no projeto, além de camisetas e produtos com a marca Nação dos Jogos, conversei com várias empresas a fim de oferecer versões exclusivas de seus jogos. O orçamento era bem limitado para a produção destes, mas combinamos caso a caso com os autores e editoras o que poderíamos fazer.

Já conversamos em um post antigo sobre os diversos problemas que levaram esses jogos a não serem produzidos. Os primeiros jogos que foram sendo cancelados, como foi algo bem público, me forçou a antecipar estas devoluções… o que eu fiz de boa vontade mas foi a decisão que acabou com o restante do caixa da Nação dos Jogos necessario para, no mínimo, financiar a produção dos meus jogos, que eram os únicos que dependiam unicamente de mim.

Ou seja… metade do dinheiro ficou na execução do stand em Curitiba, quase mil reais de devoluções feitas, e o restante gasto comprando parte do material e contratando profissionais para produzir os jogos. Trabalho que ficou pela metade, mas precisaria de mais investimento de qualquer forma já que todos os orçamentos aumentaram valor entre 2015 e 2016. Como eu tinha arriscado tudo nesse projeto, deixando minha carreira como desenvolvedor de lado por um tempo, eu não tive qualquer renda para fazer esse aporte e, com isso, o projeto morreu. Não por falta de tentativas, mas realmente o fracasso da entrega dos jogos minava qualquer conversa sobre novos passos do Coletivo.

Tentativas de levantar o dinheiro

De todos os jogos que estavam sendo produzidos para a entrega, o Brigada dos Quatro era o que parecia mais próximo do fim. Como era um jogo inédito, eu confiei que, no mínimo, eu poderia aumentar essa produção e levantar um dinheiro para fazer caixa no coletivo.

Quem me acompanhava pelos perfis sociais acompanhou meu computador queimando em 2015, que basicamente me tirou a possibilidade de trabalhar de casa. Cheguei a trabalhar como gerente de bar para conseguir financiar a compra de um computador novo e voltar à ativa. À época recebi emails julgando essa minha decisão, afirmando que eu deveria ter feito a devolução logo com esse dinheiro. Bom lembrar que no início de 2016 eu ainda tinha a intenção de entregar os jogos.Mas meu trabalho é criar jogos, e sem esse computador não havia qualquer possibilidade de levantar qualquer dinheiro.

O lançamento do Encho Indie Studio aconteceu novamente no World RPG Fest, em um stand compartilhado com os amigos da Secular Games e Lure Artesenal, e parecia muito promissor. Porém a produção do Brigada dos Quatro também se tornou um inferno e acabou me gerando prejuízo. O mesmo também veio a acontecer em 2018 com o lançamento do Contos do Galeão, outro jogo bem recebido mas que nunca se pagou e apenas colaborou com o aumento do buraco.

Mas e aí?

Bom, a minha vida não parou por causa disso. Quer dizer… na verdade parou, mas estou constantemente tentando me reerguer. Minha próxima aposta é tentar traduzir meus jogos hoje disponíveis em formato digital para inglês e tentar aumentar o alcance destas produções, já que o mercado nacional não foi o suficiente para o nicho em que eu me posiciono e as escolhas éticas que mantenho para minhas obras. Manter o acesso irrestrito, apostar na solidariedade daqueles que acreditam no meu trabalho, para que todos possam conhecer os jogos mas apenas os que tenham condição de pagar o façam. Eu vou manter essa filosofia nos produtos internacionais, negociando através de Pay What You Want (Pague quanto quiser).

O problema é quando aqueles que não entenderam o que o Nação dos Jogos nasceu para representar, não entendem o meu trabalho ou a minha posição política, e na condição de se sentirem “lesados” por mim, partem para atacar toda e qualquer tentativa de tentar votlar a trabalhar. Todo lançamento, todo post falando sobre algo que quero lançar, toda vez que eu faço uma viagem tentando fazer algumas vendas, sempre tem lá os comentários das mesmas pessoas… “e aí, num vai me pagar não?”, não importa o quanto eu explique a situação. Eu posso até ter meus problemas com o capitalismo, mas o básico eu conheço: pra ter dinheiro eu preciso trabalhar. Se não me deixar trabalhar, não tem como eu ter dinheiro, logo, não tem como eu devolver nada a ninguém.

Então, por isso, escrevo aqui tentando tranquilizar quem quer que ainda esteja impaciente: entre na justiça e reinvindique seu direito. Esse é o trâmite correto do nosso sistema. Não sei de onde vai sair esse dinheiro, mas pelo menos é uma garantia que você possa ter. Se isso vai te dar alguma paz de espírito e vai me permitir voltar a trabalhar para tentar pagar o que devo, então definitivamente é a melhor solução para todo mundo.

E se houver alguém aí que ainda acredita no meu trabalho, ou nessa minha missão pessoal, eu não peço que faça nada além de acompanhar e apoiar da forma que achar que deve. Como sabem, o Nação dos Jogos era uma tentativa de alcançar um sonho maior meu, mas que definitivamente saiu do papel de forma precipitada. Mas a ideia não parou e, enquanto eu puder, nem vai parar.

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